Aquisição Fonológica em Português Brasileiro

 

Pesquisadora responsável: Profa. Dra. Raquel Santana Santos

Projeto em andamento (bolsa produtividade CNPq 2017-2020):

Aquisição Fonológica em Português Brasileiro: A definição dos domínios de aplicação

 

O objetivo deste projeto é discutir o papel dos domínios prosódicos na aquisição de processos fonológicos levando em conta duas questões: como a criança define os domínios de aplicação de um processo fonológico? Os domínios prosódicos podem influenciar o percurso de aquisição?

Em português brasileiro, temos processos que ocorrem independentemente de um contexto lexical ou prosódico (por exemplo, o vozeamento, que ocorre tanto dentro de palavras (cf. 'gosma' ['gɔz.mɐ]) como entre palavras e sentenças (cf. 'eu vi os meninos. Eles estavam cansados' [ew.vi.ʊz.me.ni.nʊ.ze.li.zes.ta.vãw̃.kã.sa.dʊs). Por outro lado, temos processos que ocorrem somente no interior de palavras (por exemplo, a palatalização (cf. ´Tiago´ [i'a.gʊ] vs. ´garoto estranho´ [ga.ɾo.tɪs.tɾã.ɳʊ] *[ga.ɾo.ɪs.tɾã.ɳʊ])), e finalmente, processos que só ocorrem entre palavras (por exemplo, a elisão (cf. ´toco extra forte´ [to.kɛs.tɾɐ.fɔɾ.tʃɪ] vs. ´cueca´ *['kɛ.kɐ])). Assim, cabe à criança descobrir o domínio prosódico dos processos que está adquirindo.

De um outro viés, estudos fonéticos apontam que certas posições prosódicas são mais salientes do que outras: segmentos são mais bem articulados no começo de domínios prosódicos, as silabas têm uma duração proporcional à altura do domínio prosódico na hierarquia (isto é, sílabas em fronteira entoacional são mais longas do que sílabas em fronteiras mais baixas). Estas características das sílabas e segmentos a depender da posição prosódica tornam-nas mais salientes para as crianças (e podem explicar porque segmentos são adquiridos nas sílabas finais antes que nas mediais, por exemplo – cf. Mezzomo 2004).

Neste caso, a pergunta que se faz é: há uma estratégia inicial de aquisição das regras fonológicas por parte da criança? Especificamente, será que a criança assume que as regras são aplicadas em todos os domínios (dentro e entre palavras) e depois restringe o contexto de aplicação? Ou será que a criança começa por um determinado contexto (por exemplo, dado que inicialmente as produções são de uma palavra, a criança ´assume´ que os processos são sempre internos à palavra, e só depois expande o contexto (nos casos em que os processos ocorram dentro e entre palavras) ou muda o contexto de aplicação)?